Contributo da terapia por caixa de espelho para a autonomia no autocuidado – Programa de intervenção.

Autor: Pedro Castro

Cuidar, conceito central da enfermagem, exige que os enfermeiros prestem cuidados de qualidade, centrados na pessoa. Na área especializada do cuidar, a diferenciação dos conhecimentos e atributos técnicos dos enfermeiros de reabilitação ajudam na definição da sua intervenção assente nos programas de reabilitação e que visa na sua essência a promoção da autonomia/independência no autocuidado. A pessoa vivencia inúmeras transições saúde/doença ao longo da sua vida que colocam em risco a independência no autocuidado, pondo à prova a capacidade da pessoa de se adaptar às modificações produzidas em si mesma. De entre as incapacidades provocadas pelo AVC, a alteração da função dos membros superiores pode constituir-se como uma das mais limitativas. Recorde-se que o membro superior intervém em muitos autocuidados, pelo que muito da independência para o autocuidado pode passar pela forma como se reabilita este membro. O enfermeiro sustenta muito das suas intervenções nos autocuidados daí a importância do uso do Modelo do Autocuidado no suporte da análise da problemática. Desta forma, o retorno da função do membro superior tem sido identificado como um importante objetivo na reabilitação destes doentes e, consequentemente, uma preocupação dos enfermeiros de reabilitação. Para tal, o enfermeiro utiliza técnicas e terapias especificas de reabilitação cuja prática baseada na evidência dita a integração das mesmas nos programas de intervenção. Objetiva-se assim avaliar o contributo da terapia por caixa de espelho para a autonomia no autocuidado nos doentes com hemiplegia/hemiparesia por AVC da artéria cerebral média. Concretiza-se assim num estudo baseado no paradigma quantitativo, de natureza transversal e de carácter quase-experimental, com um desenho de pré e pós-programa com grupo de controlo. A amostra é constituída por 30 participantes admitidos numa unidade de convalescença e num serviço de medicina física e de reabilitação. O instrumento de colheita de dados foi selecionado de modo a verificar as respostas nas variáveis força de preensão manual e digital, amplitude de movimento articular do membro superior, equilíbrio corporal estático na posição sentado, destreza manual/motricidade fina da mão, dor, extinção/desatenção e grau de autonomia/independência no autocuidado, pelo que do instrumento fizeram parte o dinamómetro hidráulico de mão e de dedo, o goniómetro, a escala de Berg, o teste 9 – PnB, a escala Numérica da dor, a escala de NIHSS e o instrumento de Grau de autonomia/independência no autocuidado. Na caracterização da amostra demonstrou-se homogeneidade entre grupos verificando-se semelhança nas características sociodemográficas e clínicas particularmente no grau de autonomia/independência no autocuidado higiene e arranjo pessoal, no autocuidado vestir/despir e na maioria das dimensões dos autocuidados alimentar e tomar banho. Apenas ocorreu diferença na dor, na dimensão entrar/sair do chuveiro do autocuidado tomar banho e nas dimensões mastigar e engolir do autocuidado alimentar. Verificou-se nos resultados, ganhos mais expressivos no grupo experimental mas sem significado estatístico de diferença entre grupos na recuperação motora do membro superior particularmente na força de preensão manual e digital, na amplitude do movimento articular do membro superior e na destreza manual/motricidade fina da mão. Em síntese o estudo sustenta-se numa amostra reduzida não demonstrando diferenças estatísticas entre grupos contudo há ganhos com maior expressão no grupo submetido à terapia por caixa de espelho do que no grupo não sujeito a esta.

http://hdl.handle.net/10400.26/17968

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