Autor: Luís Manuel Mota de Sousa
Introdução: A investigação sobre o humor refere que este contribui para a saúde e bem–estar das pessoas. O humor desempenha uma função importante nas interações humanas, pois, promove a comunicação e o equilíbrio nas relações. Embora tenha existido, ao longo dos anos, um grande investimento no estudo em torno do humor, da sua natureza, fatores que o influenciam, propósitos e benefícios, a sua definição ainda não é consensual. No âmbito da prática clínica esta intervenção está prevista como intervenção na classificação internacional para a prática de enfermagem e na Nursing Interventions Classification. Os estudos têm demonstrado benefícios do humor na saúde das pessoas. Objetivos: Avaliar a qualidade de vida, bem-estar subjetivo, saúde psicológica, interferência da dor e sentido de humor nas pessoas com doença renal crónica em programa de hemodiálise; e avaliar a efetividade da intervenção humor (visualização de filmes de humor) na saúde psicológica, bem-estar subjetivo, interferência da dor e qualidade de vida em pessoas com doença renal crónica durante as sessões de hemodiálise. Materiais e Métodos: Foi efetuado um primeiro estudo, exploratório, correlacional e transversal, onde foram caracterizados os níveis de sentido de humor, bem-estar subjetivo, qualidade de vida, interferência da dor, stresse/ansiedade, e depressão numa amostra aleatória de 171 pessoas com doença renal crónica. O segundo estudo com um desenho quasi-experimental do tipo antes e depois, foi realizado em duas amostras selecionadas aleatoriamente, em dois grupos de pessoas com doença renal crónica. O grupo intervenção tinha 34 pessoas que participaram na visualização de filme de humor durante quatro semanas e o grupo controlo tinha 33 pessoas que assistiram a programas de televisão. Resultados: No estudo exploratório verificaram-se diferenças nas variáveis sociodemográficas e clínicas. O aumento do sentido de humor está associado positivamente a níveis elevados da componente mental da qualidade de vida, bem-estar subjetivo e negativamente com stresse/ansiedade e depressão. No que respeita ao estudo quasi-experimental verificou-se na comparação dos grupos que o grupo intervenção apresentava níveis significativos mais altos na componente física da qualidade de vida, felicidade subjetiva e nas dimensões do sentido de humor, contudo, apresentou níveis mais baixos de depressão. Conclusões: O sentido de humor apresenta diferenças no sexo, nacionalidade, presença de hipertensão arterial e tempo de hemodiálise. Este está relacionado com qualidade de vida, bem-estar subjetivo e saúde psicológica. O estudo quasiexperimental forneceu evidência sobre a visualização de filmes de humor na melhoria do sentido de humor, do bem-estar subjetivo, da qualidade de vida e na diminuição dos sintomas depressivos em pessoas com doença renal crónica durante as sessões de hemodiálise. Esta atividade é acessível e segura, mas requer a presença do enfermeiro para garantir a continuidade e adesão das pessoas. Recomendam-se estudos com desenho experimental, com amostras mais alargadas para verificar o efeito desta intervenção nas variáveis psicológicas e de saúde e bem-estar.