Autor: Maria de Fátima Mota Rodrigues
A preparação do regresso a casa é uma preocupação constante do enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação (EEER) nos diferentes contextos de cuidados à pessoa e família, sendo um processo multidisciplinar que visa antecipar as mudanças nas necessidades da pessoa e família e garantir a continuidade de cuidados no seu domicílio.
Apesar dos avanços tecnológicos na oncologia os doentes com gliomas de grau IV não
podem ser curados. As recidivas são frequentes e os doentes sofrem com défices
funcionais e cognitivos consideráveis, ocorrendo a morte por progressão da doença.
Nestes casos, o objetivo do tratamento é de prolongar, mas principalmente de melhorar a
qualidade de vida (QV) o mais tempo possível. A reabilitação produz melhorias
estatísticas e clinicamente significativas na capacidade funcional do doente. Estudos
demonstraram que visitas domiciliárias (VDs) frequentes e a continuidade de cuidados
são indicativos de melhores resultados, bem como equipas com profissionais experientes
e com competências específicas. Neste estudo económico, avaliamos a relação custoefetividade de dois programas de apoio domiciliário (AD): Grupo 1 (em que as VDs são realizadas por enfermeiros generalistas) e Grupo 2 (em que as VDs são realizadas por
EEER). Os custos do AD e dos reinternamentos foram calculados segundo perspetiva do
hospital. A amostra é constituída por 177 doentes, dos quais: Grupo 1- 75 e Grupo 2 –
101 doentes, com diagnóstico de Glioblastoma multiforme no período de 2009 a 2014 e
que foram acompanhados em VDs após a alta. Para a robustez dos dados foram realizados testes de homogeneidade das variáveis e testes t-student para estimar a significância da diferença de médias entre os dois Grupos. No sentido de saber em que medida, pertencer ao grupo 1 ou Grupo 2 condiciona o “ índice de Karnofsky” ajustou-se um modelo de regressão linear múltipla. O estudo conclui que no Grupo 2: (1) O custo total de VDs é mais elevado em 18.415€; (2) Taxa de reinternamento é de 16,49%, comparativamente com 38,89% do Grupo 1; (3) Custos com os reinternamentos são mais baixos revelandose numa poupança de 386.160€; (4) Demora média mais baixa em 1,18 dias; (5) apresentam, em média, mais 6 pontos (𝛽̂=6.088≈6) no KPS; (6) Foram realizadas em média por doente menos 2,4 VDs. Este estudo confirma que na perspetiva do hospital, o apoio domiciliário realizado por enfermeiros especialistas em reabilitação é mais custoefetivo do que o realizado por enfermeiros generalistas, uma vez que os custos mais
elevados do programa são superados pela poupança nos custos de uma taxa de
reinternamentos mais baixa e pela qualidade de vida que acrescenta.
https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/80525