Análise económica custo-utilidade do programa rapid recovery na artroplastia total da anca

Autor: Fernando José Almeida Rodrigues

A artroplastia Total anca é uma das áreas mais estudadas no campo da ortopedia,
revelando-se uma excelente solução para os doentes que sofrem de patologia articular da
anca. Esta patologia tem sido alvo de atenção, devido aos custos associados,
nomeadamente por parte dos prestadores de cuidados de saúde e o impacto económico do absentismo e a reforma dos doentes ainda em idade ativa. Atualmente o avanço da
tecnologia, a qualidade dos materiais de implante e a segurança do procedimento permite proporcionar mais qualidade de vida a cada vez mais elevada e em idades mais jovens garantindo um bom custo utilitário. A implementação de programas que possibilitem uma rápida recuperação da autonomia e consequentemente um regresso a casa mais precoce, permite reduzir custos diretos ao nível do SNS quer a nível de custos indiretos por baixas médicas, permitindo aos doentes em fase ativa regressar ao trabalho num menor espaço de tempo. O objetivo deste estudo é realizar uma análise custo utilidade do programa “Rapid Recovery” considerando dois grupos de doentes submetidos a ATA antes e após a implementação do programa em janeiro de 2012 no serviço de Ortopedia do CHSJ. Este programa envolve alterações de procedimentos relativamente à preparação para cirurgia, procedimentos técnicos e realocação de recursos. Foi estudada uma população composta por: 676 doentes submetidos a ATA, tendo obtido 271 questionários válidos, (40% da população) dos quais: 120 doentes foram submetidos a ATA antes do início do programa e 151 submetidos a ATA após o início do programa. Foram calculados os custos associados segundo a perspetiva do prestador – hospital e os Quality Adjusted Life Years (QALYs) com a aplicação do questionário EuroQol 5D-3L para avaliar a utilidade do estado de saúde dos doentes. Foi calculado com base na variação entre os 2 grupos o Incremental Cost-Utility Ratio (ICUR), sendo o resultado de 134,15€/ QALY ganho, significa que o novo programa e de acordo com as limitações do estudo é menos eficaz e menos dispendioso. Foram realizados testes de hipóteses paramétricos teste t-Student, estimada a significância das médias entre os 2 grupos. Com programa Rapid Recovery, houve uma redução do número de dias de internamento, resultando numa diminuição da demora média em 0,67 dias (p_value 0,057) e consequentemente uma redução de custos, em média de 206,6 € (p_value 0.080) por doente tratado. Conclusões: o programa “Rapid Recovery” conduz a uma redução de custos, reduz a demora média de internamento, aumenta a satisfação dos doentes, promove uma rápida recuperação funcional.

https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/80639

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