Autor: Ricardo Jorge Vicente de Almeida Braga
Como mestrando em cuidados paliativos e enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação, verifiquei que as duas disciplinas se complementam e regem, em grande parte, pelos mesmos princípios. Apesar disso, o que se observa frequentemente é que os cuidados paliativos e os cuidados de reabilitação são oferecidos a pessoas que se encontram em fases praticamente opostas ao seu processo de doença/vida. Sou da opinião que as duas disciplinas se podem complementar em benefício dos doentes paliativos e ao reflectir sobre esta temática, verifico que existe um sintoma que é premente estudar nesta perspectiva: a dispneia. Esta opção baseia‐se na sua elevada prevalência em contexto paliativo, na sua influência na capacidade funcional e qualidade de vida do doente. Este trabalho tem como objectivo identificar a influência que os cuidados de enfermagem de reabilitação (com recurso à reeducação funcional respiratória) têm no controlo da dispneia e no performance status dos doentes paliativos, e, verificar se existe alguma correlação entre o performance status e a dispneia. Trata‐se um estudo pré‐experimental, em que se utiliza uma abordagem quantitativa. A amostra foi constituída por 6 doentes internados no Serviço de Cuidados Paliativos da Casa de Saúde da Idanha, em Lisboa. Como instrumento de colheita de dados foi utilizada a Escala de Avaliação de Sintomas de Edmonton (ESAS) e a Palliative Performance Scale (PPS). Em todos os doentes houve uma diminuição do grau de dispneia. O performance status não melhorou em nenhum deles, mas devido a condicionantes do quadro clínico, não relacionadas com a reeducação funcional respiratória. Aparentemente não existe correlação entre o performance status e a dispneia. Concluímos que a reeducação funcional respiratória contribui para a diminuição da dispneia no doente paliativo, mesmo nos últimos dias/horas de vida.