Autor: Maria Isabel Barbosa Ribeiro
A segurança e a saúde dos trabalhadores, tem vindo a constituir uma preocupação dos
governos em geral e das entidades empregadoras em particular. A tónica da gestão
centrada nos recursos humanos, na qualidade de vida e no bem-estar dos trabalhadores
são uma preocupação atual. A longevidade e o aumento da idade da população ativa
exigem a adoção de estratégias que previnam as lesões musculoesqueléticas. É o setor
automóvel que regista a maior evolução nesta área. Em relação aos profissionais de
saúde, são poucos os estudos efetuados, bem como o desenvolvimento da saúde
ocupacional, ainda muito direcionado para a prevenção da doença e não para a
promoção da saúde.
A existência de registos sistematizados sobre os riscos ergonómicos a que estão sujeitos
os funcionários na área da saúde são praticamente inexistentes. Estes profissionais estão
sujeitos a diversas agressões e riscos de saúde física e psíquica, fatores que motivaram
o presente estudo. Perante esta realidade foi projetado um estudo quantitativo, descritivo
exploratório, com a finalidade de criar um programa específico para promoção do bemestar
e alívio de sintomas que advêm dos processos de trabalho no serviço de
Neurocirurgia. Foi efetuada colheita de dados por questionário de todos os trabalhadores:
51 Enfermeiros, 16 Médicos, 19 assistentes operacionais, 2 administrativos e 1 assistente
social. Variáveis consideradas: sociodemográficas, psicométricas, stress, bem-estar e
dor. As médias mais elevadas foram de idade nos assistentes operacionais, de altura nos
médicos e índice de massa corporal mais baixa nos enfermeiros. Os índices de bemestar
são baixos; o stress é controlado com valores mais elevados nos médicos. A dor
regista índices elevados, agravada ao longo do turno, pelo que justifica a elaboração de
um programa centrado nos exercícios da coluna e membros inferiores. Os trabalhadores
enfrentam riscos ergonómicos diferentes de acordo com as atividades desenvolvidas,
podendo registar variações de dor ao longo dos turnos.
Os resultados orientam para a elaboração de um programa específico adequado aos
grupos profissionais. Tal programa conduzirá à melhoria do bem-estar individual, ao
aumento da eficácia, da eficiência e consequente aumento da produtividade do serviço.
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