Autor: Anabela da Conceição Ribeiro Alegre
Atualmente, as Patologias Sépticas Osteoarticulares, apresentam para a sociedade em
geral escassa visibilidade, no entanto para a Pessoa com estas Patologias representam
um flagelo de difícil tratamento. A etiologia destas Patologias (Osteítes) abrange uma
panóplia de microrganismos, determinada pela sua capacidade de ação, deteriorando os
tecidos ósseo, muscular e cutâneo.
Assim traduzem-se em internamentos longos, recidivantes, com um grau de cronicidade
subjacente e que em última instância, remetem a Pessoa para a Amputação.
Perante esta malograda decisão clinica, que implica inequivocamente um turbilhão de
emoções, pelo sofrimento físico e psicológico inerentes e cujas respostas se manifestam
a nível individual, familiar e social.
Assim, perante a inquietação com o fenómeno da amputação por Osteítes, suas
implicações e sentimentos experienciados pela pessoa que a vivencia, dada a escassa
bibliografia, e o interesse em aumentar o conhecimento para desta forma, permitir
melhorar a qualidade dos cuidados, realizou-se este estudo, cuja questão inicial foi
“Quais as vivências de pessoas que foram submetidas a amputação do membro
inferior por Osteítes”.
Desta forma, o presente estudo qualitativo de abordagem fenomenológica tem como
objetivos compreender a experiência das pessoas com Osteítes submetidas a amputação
do membro inferior e refletir sobre o significado pessoal desse tipo de perda corporal.
Participaram sete pessoas do género masculino, doentes que foram amputados num
serviço de Ortopedia, que relataram as suas experiências através da entrevista
semiestruturada e utilizando o modelo de análise de Colaizzi de acordo com Streubert e
Carpenter (2002).
Dos achados emergiram três temas centrais que permitem compreender de modo mais
abrangente a experiência das pessoas amputadas por Osteítes: “A pessoa em transição”,
“A pessoa com os outros” e “A pessoa no futuro”. A experiência da amputação vivida
pelos participantes é um período de sofrimento/dor manifestando-se por tristeza após o
choque inicial da notícia da necessidade de amputação, mas também de superação das
dificuldades encontradas perante esta vivência. Este estudo permitiu adquirir
conhecimentos, no qual assentam questões tão pertinentes quanto as experiências
subjetivas da pessoa amputada, a relação entre a pessoa e os outros (família, amigos e
profissionais de saúde), bem como uma visão holística, realçando os aspetos de
aceitação/adaptação e utilidade. Permitiu ainda verificar que o processo de reabilitação,
é um processo global, dinâmico e contínuo, que permite às pessoas melhorar ou
recuperar as suas aptidões, as suas capacidades tão rápido quanto possível, de forma a
contribuir para a reintegração. A Enfermagem de Reabilitação tem conhecimentos
aprofundados e fundamentais, para os cuidados que se preconizam e desejam de forma a contribuir para uma melhor prática.