Autor: Rita Isabel Teixeira Pires
Introdução: O envelhecimento produz alterações fisiológicas, anatómicas,
comportamentais, sociais e culturais. Uma das consequências do envelhecimento é a
ocorrência de quedas e consequentemente o medo de cair, sendo os episódios de
incontinência urinária e as limitações na cognição, poderem ser causas de episódios de
queda. Neste sentido, emerge a necessidade de adoção de estratégias que favoreçam a
prevenção da doença e promoção da saúde. O Programa TEIA, programa de treino de
equilíbrio, continência urinária e cognição em idosos ativos, foi criado para minimizar a
ocorrência destes incidentes. Objetivo: Examinar o impacto da implementação do Programa TEIA sobre o estado de equilíbrio, cognição, sintomatologia de incontinência urinária, medo de queda e qualidade de vida, em idosos ativos institucionalizados. Método: Foi realizado um estudo quase-experimental, antes-depois, com grupo de controlo não equivalente. Participaram no estudo 30 idosos, que foram distribuídos em grupo de programa e de controlo, 16 e 14 respetivamente. Foi aplicado um instrumento de colheita de dados, que permitiu reunir informações sociodemográficas; dados clínicos; medidas fisiológicas e antropométricas; e instrumentos de avaliação funcional: FES I; Teste de Tinetti; EEB; Teste TUG; ICIQ-SF; Índice de Lawton-Brody; GDS15; 6CIT; SF-36. Resultados: Os principais resultados mostram que, após a implementação do programa, há uma diminuição no medo de cair (Z=-3,059; p=0,002), melhoria no equilíbrio, estático e dinâmico, diminuição do risco de queda e melhor execução da marcha (Tinetti, Z=-3,126; p=0,002; EEB, Z=-3,304; p=0,001; e TUG, Z=-3,516; p=0,0001), há melhoria na perceção da qualidade de vida associada à incontinência urinária (Z=-2,680; p=0,007). Adicionalmente trouxe benefícios relativamente, ao desempenho da cognição (Z=-3,088; p=0,002), e à perceção da qualidade de vida associada à saúde, na componente física (Z=-3,077; p=0,002) e na componente mental (Z=-2,552; p=0,011). Não se conseguiu comprovar a intervenção do programa na execução das AIVD’s (Z=-1,633; p=0,102) e sintomatologia depressiva (Z=-1,121; p=0,262). Conclusão: A implementação do Programa TEIA traduz-se em ganhos significativos para a saúde dos idosos, melhorando o equilíbrio, a mobilidade, a marcha, a competência da musculatura pélvica e o desempenho da cognição.