Stresse em profissionais de saúde das unidades de média duração e reabilitação e longa duração e manutenção da Rede Nacional de Cuidados Continuados

Autor: Maria Inês Lopes Martins

Enquadramento: No setor da saúde é possível identificar alguns fatores indutores de stresse associados às condições de trabalho, quer seja a nível físico, organizacional, sócio-emocional. Estes influenciam os cuidados prestados pelos profissionais de saúde, em contextos cada vez mais exigentes a todos os níveis, como é o caso da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI). Objetivos: Identificar níveis de Stresse nos Profissionais de Saúde em UMDR e ULDM da RNCCI e analisar a sua relação com as variáveis sociodemográficas, profissionais e familiares. Metodologia: Trata-se de um estudo não-experimental, quantitativo, com corte transversal e descritivo analítico-correlacional. Os dados foram colhidos numa amostra não probabilística por conveniência, junto de 75 profissionais de saúde de UMDR e ULDM da RNCCI. O instrumento de recolha de dados consistiu num conjunto de questões de caracterização sociodemográfica, profissional e familiar e o Questionário de Stress para Profissionais de Saúde. Resultados: Constatou-se que o nível global de stresse manifestado pelos profissionais de saúde se situa em média nos 2.36_+ 0.645 (numa escala de 0 a 4 pontos), o que traduz um nível moderado de stresse global. Os fatores, excesso de trabalho, a carreira e remuneração foram os que apresentaram valores médios mais elevados, respetivamente (média=2,700,740) e (média=2,600,671). Encontramos diferenças estatísticas significativas em todos os fatores, à exceção dos problemas familiares e do stresse global (p=0,200). Os maiores níveis de stresse foram encontrados nas mulheres, (nas dimensões lidar com os clientes p=0,000, excesso de trabalho p=0,027, ações de formação p=0,001, problemas familiares p=0,048 e stresse global p=0,013); nos que têm o ensino secundário como habilitação (nas dimensões carreira e remuneração p=0,009; relações profissionais p=0,030); nos enfermeiros (carreira e remuneração p=0,001; relações profissionais p=0,001; stresse global p=0,043); nos que exercem numa UMDR (relações profissionais p=0,046; problemas familiares p=0,017; stresse global p=0,039); naqueles que não exercem funções noutra Instituição (carreira e remuneração p=0,015, relações profissionais p=0,005) e nos que possuem um agregado constituído por 1 elemento (excesso de trabalho p=0,014). Conclusão: Concluiu-se que são os enfermeiros os profissionais de saúde que apresentam um valor médio mais elevado na perceção global de stresse (X2=8,169; p=0,043), com diferenças estatisticamente significativas nos fatores carreira e remuneração, relações profissionais e no stresse global. Vimos ainda que a idade, o sexo, a experiência profissional e a funcionalidade familiar constituem-se variáveis preditoras do stresse dos profissionais de saúde.

http://hdl.handle.net/10400.19/4861

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