Autor: Sandra Dias das Neves
Introdução: As perturbações músculo-esqueléticas (PME) são cada vez mais frequentes durante a gravidez, podendo incapacitar a grávida para o trabalho e atividades de vida diária, diminuindo assim a sua qualidade de vida. Objetivos: O presente estudo tem como objetivos identificar a prevalência de perturbações músculo-esqueléticas em grávidas e analisar associações entre variáveis sociodemográficas, antropométricas e circunstanciais. Método: Trata-se de um estudo não experimental, transversal, descritivo-correlacional e de caráter quantitativo, que envolveu 113 grávidas seguidas no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Foi realizado com recurso a um questionário que avalia as variáveis sociodemográficas, antropométricas e circunstanciais. Recorreu-se à Escala de Apgar Familiar para analisar a funcionalidade familiar. Integra ainda o “Questionário Nórdico Músculo-Esquelético” para avaliar as perturbações músculo-esqueléticas. Resultados: Os dados mostram que 27,3% das grávidas apresentam efetivamente perturbações músculo-esqueléticas, localizando-se estas especialmente nas regiões lombar (77%), ancas/coxas (51,8%) e tornozelos/pés (30,4%). As queixas nas grávidas mais jovens predominam a nível das ancas (p=0,03) e nas mais velhas na região das mãos (p=0,04), nas mais baixas localizam-se nos ombros (p=0,01), nas mais pesadas ocorrem mais nas mãos (p<0,0005), nas com agregado familiar mais numeroso encontram-se nas regiões do pescoço (p=0,03) e cotovelos (p=0,04), nas com idade gestacional mais avançada ocorrem principalmente nas mãos (p=0,001), ancas (p=0,01) e tornozelos (p=0,003), nas com maior número de partos localizam-se a nível dos cotovelos (p=0,05) e nas que tem estilos de vida mais sedentários predominam na zona lombar (p=0,01). Conclusão: As perturbações músculo-esqueléticas estão presentes nas grávidas em graus e localizações diferenciados provocando de facto incapacidades nas suas atividades de vida diária. Para além dos determinantes fisiológicos, existem outros que concorrem para a sua ocorrência, o que reforça a pertinência de uma melhor compreensão do problema nos diferentes contextos, a importância dum trabalho preventivo e ainda da sua deteção e tratamento precoce.