Autor: Luís Filipe Ferreira Diogo
Enquadramento: A intervenção regular do enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação, quer para capacitar os doentes para desenvolverem determinadas técnicas, quer para desenvolver a recuperação, adaptação ou manutenção da sua capacidade funcional, assume grande relevância nas unidades de cuidados paliativos. Objetivo: Identificar se a intervenção do enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação é considerada uma mais-valia nas unidades de cuidados paliativos. Métodos: Estudo quantitativo, transversal, descritivo e correlacional. Utilizou-se o questionário como instrumento de recolha de dados, composto por questões de caracterização sociodemográfica, profissional, contextuais dos cuidados paliativos, Escala dos termos mais significativos da Qualidade de Vida em Cuidados Paliativos, questões relativas à perceção dos enfermeiros sobre a intervenção do enfermeiro de reabilitação em contexto de cuidados paliativos. A amostra é constituída por 79 enfermeiros a exercerem funções em unidades de cuida-dos paliativos. Resultados: Os enfermeiros deste estudo, têm, na sua maioria, uma perceção positiva face aos contributos do enfermeiro de reabilitação junto dos doentes paliativos (ensino e treino sobre técnicas da tosse, controlo da dor através de estratégias não farmacológicas, execução de exercícios musculo-articulares passivos, execução de exercícios musculo-articulares passivos e assistidos, diminuição do risco de rigidez articular, ensino e treino sobre estratégias adaptativas para se transferir, ensino e treino de técnicas adaptativas para deambular, ensino de cuidados sobre prevenção de quedas). Os enfermeiros com uma opinião adequada dos cuidados paliativos revelam-se mais favoráveis à intervenção do enfermeiro de reabilitação na área (p=0,040). As enfermeiras, os participantes mais novos, com companheiro(a), que possuem mestrado, com formação pós-graduada, com menos tempo de serviço, que possuem formação em cuidados paliativos, com 2-5 anos de experiência profissional em cuidados paliativos, os que exercem na função pública e os que admitem já ter exercido funções com o enfermeiro de reabilitação, ao longo da sua experiência profissional, manifestam uma perceção mais favorável à intervenção do enfermeiro de reabilitação em cuidados paliativos, mas sem relevância estatística. Conclusão: Face à opinião positiva dos enfermeiros que constituem a amostra deste estudo em relação à intervenção do enfermeiro de reabilitação junto dos doentes paliativos, devemos despertar consciências para a mais-valia que é ter um enfermeiro com a especialidade de reabilitação nas unidades de cuidados paliativos. É importante ter acesso a cuidados diferencia-dos, específicos e altamente complexos que a reabilitação proporciona levando à melhoria da qualidade de vida, influenciando diretamente os domínios que a avaliam, e oferecendo aos doentes paliativos a possibilidade de ter acesso às suas intervenções. Em cuidados paliativos não devemos pensar no que a reabilitação pode fazer pelos doentes mas sim, o que os doentes querem que a reabilitação faça por eles e esta tem de adaptar as suas intervenções ao que o individuo necessita a cada momento.