Autor: Tânia Filipa Reis Henriques
Enquadramento: A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados tem por Missão prestar os cuidados adequados, de saúde e apoio social, a todas as pessoas que, independentemente da idade, se encontrem em situação de dependência. Desta forma, tora-se emergente a identificação precoce desses níveis de dependência. Consequentemente, pelas competências inerentes ao Enfermeiro Especialista de Reabilitação torna-se fundamental a sua integração nestas equipas multidisciplinares de forma a alcançar os objetivos preconizados pela rede. Objectivos: Avaliar o impacto do internamento em RNCCI, na melhoria dos níveis de dependência dos utentes internados e analisar a sua relação com as variáveis sócio demográficas, clínicas e de contexto familiar. Métodos: Trata-se de um estudo não experimental, transversal, descritivo-correlacional e de carácter quantitativo. Foi realizado numa amostra não probabilística por conveniência, constituída por 40 pessoas internadas na UMDR da Santa Casa da Misericórdia de Seia. Para a mensuração das variáveis utilizou-se um instrumento de colheita de dados que integra uma secção de caracterização sócio demográfica, clínica, de contexto familiar e o Índice de Barthel. Resultados: Constatou-se que após o internamento na UMDR 7,5% dos inquiridos apresenta uma incapacidade ligeira, 30% uma incapacidade moderada e 52,5% uma incapacidade grave, sendo que 10% apresentam-se independentes. Verificámos que, o género (p=0,041), o estado civil (p=0,034), as habilitações literárias (p= 0,002/p=0,005) e o rendimento familiar (p=0,015/p=0,005) se correlacionam significativamente com a capacidade funcional dos utentes. Paralelamente, os internamentos anteriores (p=0,028), o número de horas de reabilitação (p=0,007/p=0,004), a alteração da integridade cutânea (p=0,029), interferem igualmente nessa capacidade. Conclusão: O internamento na RNCCI tem impacto positivo na funcionalidade dos Utentes, dada a melhoria significativa dos níveis de dependência no momento da alta, comparativamente com o momento da admissão. São os enfermeiros de reabilitação, pelas suas competências, que se encontram aptos a integrar todas as vertentes dos cuidados necessários à pessoa com incapacidade no desempenho do autocuidado, tendo em conta as necessidades e os objetivos terapêuticos delineados para cada pessoa, estimulando a autonomia e promovendo a independência.