Incapacidade funcional em doentes com acidente vascular cerebral seis meses após a sua ocorrência

Autor: Ricardo Miguel Lourenço Correia

Enquadramento: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma patologia com profundas implicações na funcionalidade das pessoas, com efeitos significativos não só ao nível do funcionamento físico, mas também a nível emocional, familiar, social e económico. Objetivos: Avaliar níveis de funcionalidade nas pessoas com AVC seis meses após a sua ocorrência e analisar a sua relação com as variáveis sócio demográficas, clínicas e funcionalidade familiar. Métodos: Trata-se de um estudo não experimental, transversal, descritivo-correlacional e de caráter quantitativo. Foi realizado numa amostra não probabilística por conveniência, constituída por 72 pessoas com AVC há mais de seis meses, que são acompanhadas na Consulta Externa do Hospital Sousa Martins da Guarda. Para a mensuração das variáveis utilizou-se um instrumento de colheita de dados que integra uma secção de caracterização sócio demográfica e clínica, o Índice de Barthel e a Escala de Apgar Familiar. Resultados: Constatou-se que após seis meses da ocorrência do AVC 44,4% dos inquiridos apresenta uma incapacidade ligeira, 36,1% uma incapacidade moderada e 19,4% uma incapacidade grave. Verificámos que, a idade (p=0,000), o género (p=0,006), a coabitação (p=0,002) e o rendimento familiar (p=0,019) se correlacionam significativamente com a capacidade funcional das pessoas, em algumas dimensões. Paralelamente, o alcoolismo (p=0,006), tabagismo (p=0,050), diabetes mellitus (p=0,000), stresse (p=0,050) e hipertensão arterial (p=0,050) interferem igualmente nessa capacidade, assim como o local de AVC. Em relação à realização de programas de reabilitação existe uma correlação negativa mas significativa (p=0,028). Conclusão: As evidências encontradas neste estudo reforçam o paradigma de que os fatores de risco se associam a uma pior capacidade funcional nas pessoas com AVC. Neste sentido, a adoção de medidas preventivas no controle destes fatores, a promoção de hábitos de vida saudáveis e a implementação precoce de programas de reabilitação estruturados são estratégias fundamentais na minimização do impacto negativo que esta doença acarreta na qualidade de vida das Pessoas.

http://hdl.handle.net/10400.19/3029

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