Qualidade de vida do doente após acidente vascular cerebral

Autor: Maria Augusta Gonçalves Alves Rua

Contextualização: Em Portugal, o AVC constitui a principal causa de incapacidade de longa duração e de diminuição da qualidade de vida. A reabilitação funcional do doente é um dos requisitos básicos no tratamento pós-AVC. Neste contexto, o objetivo do presente estudo pretendeu analisar o modo como determinadas variáveis de contexto sociodemográfico, familiar e clínico estão associadas à qualidade de vida destes doentes. Métodos: Realizou-se um estudo transversal, descritivo correlacional, de natureza quantitativa, no qual participaram 75 doentes, maioritariamente do sexo masculino (53,33%), com uma média de idades de 68 anos. Para a mensuração das variáveis utilizaram-se instrumentos de medida, de reconhecida fiabilidade, aferidos e validados para a população portuguesa: Escala de Apgar Familiar, Escala de Barthel e Questionário de avaliação da qualidade de vida (PSN). Foi também utilizada uma ficha sociodemográfica e clínica. Resultados: Analisando as dimensões da qualidade de vida constatamos que os doentes do sexo feminino apresentam scores superiores em todas as dimensões, existindo diferenças estatísticas significativas apenas para o Isolamento Social. Os participantes solteiros revelaram valores médios mais elevados, resultando em diferenças estatisticamente significativas para o Isolamento Social. Os participantes total e severamente dependentes foram os que revelaram médias mais elevadas na maioria das dimensões, com diferenças estatisticamente significativas em todas as dimensões, exceto na Dor. As variáveis idade, influência da residência, habilitações literárias, situação laboral, condições habitacionais, tipo de AVC, tempo de internamento, local da lesão, influência do programa de reabilitação e funcionalidade familiar não revelaram um efeito significativo sobre a qualidade de vida. Conclusão: As evidências encontradas neste estudo fornecem indicadores para uma melhor intervenção junto dos doentes com AVC, de forma a melhorar a sua adaptação e bem-estar, e da sua família, contribuindo para a sua qualidade de vida. Por outro lado, sensibilizou-nos para a importância em ajustar os cuidados específicos de reabilitação às expetativas e necessidades desses indivíduos.

http://hdl.handle.net/10400.19/1659

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