Prevalência de lombalgias nos enfermeiros

Autor: Cátia Susana Oliveira Matias Pires Guerra

Introdução: Sabe-se que as lombalgias têm grande impacto na profissão de enfermagem, causando dor, limitação funcional e custos elevados com os cuidados de saúde. Os enfermeiros em contexto hospitalar desenvolvem trabalho envolvendo esforços excessivos e repetitivos, durante longos períodos de tempo, adoptando algumas posturas incorrectas. É frequente a escassez de meios técnicos e humanos, assim como as condições de trabalho restritas, contribuindo como factores de risco de lombalgias, aliados aos factores de risco individuais e socioculturais. Objectivos: Avaliar a prevalência de lombalgias nos enfermeiros dos serviços de cirurgia, medicina, neurocirurgia e ortopedia do Centro Hospitalar Tondela-Viseu, EPE. Identificar os principais factores de risco associados às lombalgias. Avaliar a incapacidade funcional dos enfermeiros e constatar se estes apresentam crenças de medo-evitamento relacionadas com o trabalho e com a actividade física. Metodologia: A amostra é constituída por 103 enfermeiros, com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos; trata-se de um estudo quantitativo, de carácter exploratório descritivo, transversal e correlacional. O instrumento de colheita de dados foi aplicado sob a forma de questionário no sentido de avaliar a prevalência de lombalgias e identificar os factores de risco de lombalgias, bem como o Questionário de Dor Lombar e Incapacidade de Quebec (QDLIQ) e o Questionário de Crenças Medo-Evitamento (QCME) para conhecer a incapacidade funcional e as crenças de medo-evitamento relacionadas com o trabalho e com a actividade física, respectivamente. Resultados: Os enfermeiros do estudo apresentam uma elevada prevalência de lombalgias (78,64%) nos últimos 12 meses. Os resultados sugerem que a prevalência de lombalgias está relacionada com vários factores sócio-demográficos e profissionais, bem como com a incapacidade funcional e as crenças de medo-evitamento. A percepção de risco de lombalgias relativamente ao contributo dos diferentes factores é genericamente ajustada, apesar de não estar associada à prevalência de lombalgias. Os resultados sugerem igualmente falhas ao nível estrutural, organizacional e dos equipamentos. Constata-se que a maioria dos enfermeiros apresenta incapacidade baixa para realizar actividades físicas inerentes ao seu quotidiano, causada pela(s) lombalgia(s) e apresenta baixas crenças de medo-evitamento relativas a actividade física e ao trabalho. Conclusão: Os enfermeiros em estudo apresentam uma prevalência elevada de lombalgias, evidenciando uma incapacidade funcional baixa, assim como, baixas crenças de medo-evitamento). A prevalência de lombalgias está relacionada com as variavéis sócio-demográficas (sexo, grupos etários, índice de massa corporal, actividade desportiva, actividades domésticas e frequência diária de actividades domésticas) e profissionais (carga horária semanal, categoria profissional, rácio enfermeiro/doente e factores organizacionais do local de trabalho), bem como com a incapacidade funcional e as crenças de medo-evitamento.

http://hdl.handle.net/10400.19/1695

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