Autor: Ana Rita Almeida Batista
Introdução – A adesão aos programas de reabilitação constitui uma fonte de preocupação transversal a todos os profissionais de saúde. Com o evoluir dos tempos o utente deixou de ter um papel passivo relativamente às prescrições médicas e passou a ter uma responsabilização individual pelo seu estado de saúde e controlo da sua doença. Porém, a taxa de incumprimentos continua ainda particularmente elevada. Nesta perspectiva, o objectivo central deste estudo é determinar a influência dos determinantes sociodemográficos e de contexto laboral na perceção dos profissionais de saúde face à adesão dos utentes aos programas de reabilitação. Métodos – Trata-se de uma pesquisa do tipo quantitativa, transversal, descritivo correlacional, recorrendo a uma amostra não probabilística constituída por 98 profissionais de saúde, com idades compreendidas entre os 22 anos e os 58 anos ( ̅ = 39,80; Dp= 9,96) e maioritariamente do sexo feminino (58,16%). O instrumento de colheita de dados incorporou uma ficha de caraterização sóciodemográfica e profissional, e uma escala de medida validada e aferida para a mensuração da perceção da adesão. Resultados – O score da perceção dos profissionais de saúde face à adesão dos utentes aos programas de reabilitação é de 6,48, sendo considerado um valor acima da média. São tendencialmente os profissionais de saúde, do sexo feminino, a apresentar maior perceção face à adesão dos utentes aos programas de reabilitação. Outras variáveis revelam, igualmente, um efeito estatisticamente significativo sobre a perceção dos profissionais de saúde face à adesão dos utentes, concretamente: são os enfermeiros especialistas comparativamente aos médicos que apresentam melhor score no que toca às estratégias usadas por estes profissionais; no que respeita aos métodos da adesão são os profissionais que trabalham com utentes com patologia cárdio-respiratória que apresentam melhor score em relação aos profissionais de saúde que trabalham com utentes com patologia orto-traumatológica e reumatológica, e são também os profissionais que trabalham com utentes com patologia neurológica a apresentar melhor score comparativamente aos profissionais que trabalham com utentes com patologia ortotraumatológica e reumatológica. Conclusão –As evidências encontradas, salientam que existem muitas dúvidas dos profissionais de saúde acerca da problemática da adesão, e permitem inferir que enquanto profissionais de saúde temos de continuar a desenvolver estratégias, com envolvimento directo do utente, por forma a diminuir a não adesão destes aos programas de reabilitação. Propomos a formação contínua dos profissionais bem como a realização de campanhas de sensibilização junto da comunidade. Também uma reflexão sobre a abrangência dos conteúdos programáticos escolares poderá vir a dar contributos pertinentes para a solução desta problemática.