Autor: Ilídia Costa Cardoso
Introdução – As patologias cardíacas representam, segundo a Organização Mundial de Saúde, a principal causa de morte nos países desenvolvidos existindo uma preocupação crescente com as consequências e sequelas, não só a nível físico como psicológico, destas patologias nos indivíduos que as padecem. Um dos factores de risco reconhecidamente relevante para o surgimento destas patologias é o sedentarismo, o que por consequência torna o exercício físico uma prática recomendada com benefícios comprovados a nível físico e psicológico quer na prevenção quer no debelar destas patologias. Deste modo este estudo teve por principal objectivo avaliar o impacto do exercício físico no bem-estar subjectivo – nas suas componentes de satisfação com a vida e de afectos positivos e negativos – e psicológico nos indivíduos portadores de patologia cardíaca. Métodos – Para esta pesquisa transversal, descritivo-correlacional de natureza quantitativa recorremos a uma amostra não probabilística constituída por 107 utentes, maioritariamente do sexo masculino (52,30%), com uma média de idades de 64.22 anos e inscritos em sete centros hospitalares/clínicos da região norte e centro de Portugal. Para a mensuração das variáveis foram utilizadas escalas aferidas e validadas para a população portuguesa: Escala de Satisfação com a Vida (SWLS) para avaliar a satisfação com a vida, Escala de Afectos Positivos e Negativos (PANAS) para avaliar os afectos e a Escala de Bem-Estar Psicológico (EBEP) para avaliar o bem-estar psicológico. Foi também utilizada uma ficha sociodemográfica e de caracterização da prática de exercício físico. Resultados – A análise dos resultados evidenciou que existem diferenças significativas, no bem-estar subjectivo, nas suas componentes de satisfação com a vida e de afectos; os praticantes de exercício físico revelam uma maior satisfação com a vida e percepção dos afectos positivos, enquanto os afectos negativos se repercutem mais nos não praticantes; os indivíduos que praticam exercício apresentam maior grau de bem-estar psicológico (na dimensão autonomia) quando comparados com não praticantes; independente da prática de exercício físico os elementos do sexo masculino apresentam uma maior satisfação com a vida e domínio do meio, os residentes em zona urbana demonstram mais afectos positivos, os desempregados evidenciam mais afectos negativos, e a dimensão crescimento pessoal do bem-estar psicológico é relevante em indivíduos dos 37 aos 55 anos, de zona urbana, empregados e com habilitações ao nível do ensino secundário. Conclusões – Este estudo vem confirmar a importância da prática de exercício físico para uma atitude psicológica positiva, que se reveste de maior significado no indivíduo portador de patologia cardíaca, devendo ser concentrados esforços na promoção de um estilo de vida activo que reabilite o doente e previna estas patologias diminuindo o seu impacto na sociedade.