As perturbações músculo-esqueléticas no trabalho em saúde: o caso de uma unidade de cuidados continuados integrados de média duração e reabilitação

Autor: Ana Rita Castro Machado

Perante a preocupação com a incidência das perturbações músculo-esqueléticas nos Enfermeiros e nos Auxiliares de Ação Médica de uma Unidade de Cuidados Continuados Integrados de Média Duração e Reabilitação (UCCI-MDR), tornou-se indispensável proceder ao diagnóstico de necessidades com vista à promoção da saúde e prevenção da doença neste local de trabalho. Pelo que foram definidos os seguintes objetivos: analisar as condições e características do trabalho que podem desencadear perturbações músculoesqueléticas nos profissionais de saúde de uma UCCI-MDR; analisar as repercussões que as condições e características do trabalho têm na saúde e bem-estar dos profissionais de saúde de uma UCCI-MDR que podem desencadear perturbações músculo-esqueléticas; analisar as estratégias que os profissionais de saúde utilizam para prevenir e minimizar as repercussões das condições e características do trabalho que podem desencadear perturbações músculo-esqueléticas, na sua saúde. Trata-se, então, de uma investigação que se encerra num estudo descritivo de natureza mista, realizada com uma amostra constituída por 14 indivíduos (Enfermeiros e Auxiliares de Ação Médica) duma UCCI-MDR. Os dados foram recolhidos num com recuso ao INSAT2010, esclarecidos e aprofundados com recurso à entrevista coletiva. Os dados evidenciaram que estes profissionais de saúde apresentam qualidade de vida e saúde afetadas, quer pela existência de constrangimentos de natureza física e biomecânica, organizacional e psicossocial, bem como de natureza individual, tendo-se constatado que os constrangimentos de natureza organizacional, mais especificamente aqueles que implicam aceleração do ritmo de trabalho, são os que apresentam maior impacto na saúde dos profissionais de saúde. Verificando-se ainda, que as estratégias frequentemente utilizadas são direcionadas ao tratamento de sintomas, ao invés de se direcionarem para a resolução dos constrangimentos do trabalho. O que significa que as estratégias utilizadas pelos profissionais de saúde não são eficazes. Esta constatação permite perceber que é necessário implementar estratégias mais eficazes, que produzam melhores resultados, pelo que se sugere a formação enquanto momento de reflexão em equipa e a ginástica laboral.

http://hdl.handle.net/20.500.11960/1210

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