Sexualidade e reabilitação: vivências de lesionados medulares

Autor: Edite Oliveira Félix Queirós

As lesões vertebro medulares são devastadoras para as pessoas, para a sua família e para a sociedade em geral. Atingem geralmente jovens adultos, têm etiologia variada e acarretam um grau variável de alterações nas funções motoras e sensoriais intimamente interligados com nível e extensão da lesão. Além das sequelas motoras e sensoriais, as lesões vertebro medulares são acompanhadas por um conjunto de alterações psicológicas que condicionam a capacidade sexual, a perceção e vivência da sexualidade. A sexualidade não é neutralizada pela lesão. A reabilitação da vida sexual é determinante na qualidade de vida da pessoa com lesão medular e não pode ser negligenciada no cuidar em enfermagem, em particular pelos enfermeiros especialistas em enfermagem de reabilitação. Com base nestes pressupostos emergiu a questão de investigação “Qual a perceção dos lesionados medulares relativamente à sexualidade e qual o contributo do Enfermeiro de Reabilitação para a vivência da mesma?” cujos objetivos visam compreender a vivência da sexualidade por portadores de lesão vertebro medular e conhecer o contributo do enfermeiro de reabilitação neste âmbito, procurando respostas específicas nesta área de especialidade em enfermagem que incrementem a qualidade de vida dos lesionados medulares. Neste âmbito, a opção metodológica recaiu sobre abordagem qualitativa, na medida em que se propõe uma análise interpretativa das vivências dos lesionados medulares. Realizou-se um estudo de natureza exploratória e descritiva, mediante entrevista semiestruturada, a oito indivíduos do sexo masculino, tetraplégicos e paraplégicos após traumatismo vertebro medular. O tratamento e interpretação dos dados foram efetuados com base na análise de conteúdo. Os resultados obtidos indicam que após a lesão sucedem-se distintas modificações na vivência e perceção da sexualidade, e o nível e extensão da lesão não têm efeito significativo. Das alterações percecionadas destacamos a valorização da dimensão relacional relativamente ao padrão de comportamento sexual após a lesão. Verificamos que são inúmeras as dificuldades de expressão da sexualidade, sendo as mais prevalentes as implicações físicas e complicações orgânicas resultantes da lesão comparativamente com as sociais. Constatámos ainda que cinco dos oito entrevistados não usufruíram de qualquer tipo de abordagem e/ou informação sobre sexualidade aquando permanência em unidade hospitalar ou centro de reabilitação.Enfatizámos a proatividade dos entrevistados para ultrapassar estas lacunas, nomeadamente a capacidade de resiliência e valorização pessoal, tal como os cuidados com a parceira, a exploração e o diálogo. Além disso a terapêutica farmacológica e/ou cirúrgica é conhecida e utilizada, sendo a perceção sobre a funcionalidade desta divergente. Relativamente à intervenção e contributos do enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação verificámos que, uma minoria dos entrevistados teve contacto e considera a relação positiva, tendo ocorrido a abordagem da sexualidade, contudo defendem que esta não foi suficiente. Após a ocorrência da lesão medular é indiscutível a redefinição do conceito e vivência da sexualidade.

http://hdl.handle.net/20.500.11960/1419

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