Autor: Joana Margarida Lopes Luís
Introdução: Resiliência designa a capacidade da pessoa, face à adversidade, de desenvolver mecanismos positivos de adaptação, ou seja responder de forma mais consistente aos desafios e dificuldades de reagir com flexibilidade e capacidade de recuperação diante de circunstâncias desfavoráveis, tendo uma atitude otimista, e perseverante. A relação entre AVC e resiliência recai na característica desta priorizar o potencial da pessoa, em vez de se centrar apenas na incapacidade. Considera-se como uma das ferramentas da enfermagem de reabilitação, deslocando a ênfase da dimensão negativa da patologia, para as potencialidades da pessoa com incapacidade. Objetivos: O principal objetivo deste estudo é avaliar a relação entre a quantidade e qualidade do uso do membro superior parético após AVC e a capacidade de resiliência. Metodologia: Desenvolveu-se um estudo exploratório, transversal e correlacional com uma abordagem quantitativa. Foram utilizados como instrumentos de colheita de dados um questionário sociodemográfico, um dinamómetro de preensão manual (dynateste), o índice de barthel, a escala Motor Activity Log-30 e a escala de resiliência de Connor-Davidson. Resultados e Conclusões: Os resultados revelam que dos 25 indivíduos que compõem a amostra, 60% são do género masculino e a média de idades é de 68,76 anos. O AVC ocorreu em média há 49,8 meses, sendo que 56% ficaram com o lado dominante afetado. Verificou-se que existe correlação entre as subescalas QT e QL da escala MAL-30 e os itens que as constituem obtendo-se valores de CCS>0,558 (p=0,000) para ambas. Verificou-se uma correlação negativa perfeita entre as variáveis escala de resiliência de Connor-Davidson e o tempo de frequência em programa de reabilitação. Não existe correlação entre a escala de resiliência e a subescala quantitativa da escala MAL-30, subescala qualitativa da escala MAL-30, tempo de ocorrência de AVC, e índice de Barthel. Verificou-se também a não existência de correlação entre as subescalas quantitativa e qualitativa da MAL-30 e o tempo de frequência em programa de reabilitação, bem como com o tempo de ocorrência do AVC.