O cuidador informal no processo de adaptação adaptação à dependência no autocuidado

Autor: Maria Preciosa Cerqueira Branco

A Unidade de Média Duração e Reabilitação (UMDR) inserida na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) visa promover a reabilitação e o apoio psicossocial em situações clínicas e decorrentes de um processo agudo ou da descompensação de patologias crónicas em pessoas com perda transitória de autonomia potencialmente recuperável (Decreto-Lei nº 101/2006, 2006). O objetivo geral do presente estudo consiste em conhecer a perceção do cuidador informal sobre o processo de adaptação ao papel de prestador de cuidados ao utente/familiar em situação de dependência e que previamente à reintegração no contexto familiar e domiciliário esteve internado numa UMDR. Mais especificamente pretende-se: conhecer o processo de planeamento de alta numa UMDR, a perceção do cuidador informal relativamente à intervenção do enfermeiro neste âmbito; saber se o processo se ajusta à realidade do domicílio e analisar o processo de adaptação ao domicílio após a alta da unidade de cuidados continuados com a finalidade de contribuir para a melhoraria da atuação dos profissionais de saúde que lidam com estas situações. Trata-se de um estudo qualitativo de natureza exploratório descritiva que recorreu à entrevista semiestruturada como fonte de colheita de dados junto de sete cuidadores informais residentes no distrito de Viana do Castelo. Os discursos obtidos foram submetidos à análise de conteúdo segundo Bardin (2011). Os resultados obtidos mostram que a adaptação à dependência no autocuidado pelo cuidador informal foi vivenciada com algumas limitações, nomeadamente no reduzido envolvimento na preparação do regresso a casa, tendo sido insuficientes os momentos de ensino/instrução/treino nas capacidades para autocuidado proporcionados na UMDR, o que dificultou o desenvolvimento da identidade de cuidador informal, ainda que este tenha sido uma preocupação contínua por parte da equipa de Enfermagem. Este contacto mais próximo criou laços mais vincados comparativamente com os restantes membros da equipa multidisciplinar. Relativamente à identificação de barreiras arquitetónicas apenas foram exploradas na reunião de admissão, sendo negligenciadas durante todo o processo de preparação de alta constituindo assim um fator dificultador no regresso a casa para o cuidador informal. Por outro lado, os ensinos facultados são pertinentes mas é reduzido o investimento da equipa neste aspeto o que conduz à insegurança do cuidador na prestação de cuidados a pessoas dependentes com as quais tem maioritariamente laços familiares. Assim considera-se que o contributo do enfermeiro especialista em reabilitação para o processo de adaptação em situação dependência no autocuidado seria fundamental, já que a sua intervenção é centrada na avaliação da funcionalidade e no diagnóstico de alterações, na conceção, implementação/execução de planos de intervenção e na promoção da inclusão do utente/cuidador no regresso ao seu contexto domiciliário.

http://hdl.handle.net/20.500.11960/1497

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