Autor: Ivo Cláudio Mendes Lopes
A doença cardíaca isquémica é uma das mais importantes causas de diminuição da capacidade funcional e da qualidade de vida. A Reabilitação Cardíaca, com uma componente central de exercício físico, acompanhada pela consciencialização e ensino do doente sobre a doença cardíaca e fatores de risco cardiovascular, é uma ferramenta essencial para a recuperação do doente cardíaco, possibilitando a redução das limitações físicas e psicológicas, fomentando a adoção de um estilo de vida saudável. Metodologia: Foi realizado um estudo exploratório retrospetivo, com o objetivo principal de verificar o impacto de um programa domiciliário de exercício físico na capacidade funcional e qualidade de vida relacionada com a saúde, da pessoa com doença cardíaca isquémica do serviço de Cardiologia do Hospital de Santo António – Centro Hospitalar do Porto. A amostra é constituída por 13 doentes com doença cardíaca isquémica, que estiveram internados entre outubro e dezembro de 2016 e que não integraram a Fase II do programa de Reabilitação Cardíaca. Estes doentes foram submetidos a um programa domiciliário de exercício físico aeróbio durante três meses, com acompanhamento através de contactos telefónicos semanais. A colheita de dados foi efetuada em dois momentos distintos: à data da alta e três meses depois. Resultados: A amostra foi constituída por 84,6% de participantes do sexo masculino e a média de idades foi de 61,23±11,34 anos. A hipertensão arterial demonstrou ser o fator de risco cardiovascular mais prevalente (76,9%), seguido da hipercolesterolemia (69,2%). Em média, cada doente realizou 81±9,58 sessões de exercício físico no domicílio, sendo que o mínimo foram 59 e o máximo 93 sessões. No final do programa domiciliário, verificou-se um aumento no número médio de metros percorridos no Teste de Marcha de 6 minutos (339,77±61,34 vs. 533,77±117,39; p<0,05) e em seis dos oito domínios do formulário Abreviado da Avaliação de Saúde 36 – SF-36. Quanto aos contactos telefónicos, os doentes revelaram-se satisfeitos com este método de acompanhamento. Conclusão: No final do programa domiciliário de exercício físico aeróbio verificou-se uma melhoria na capacidade funcional e qualidade de vida relacionada com a saúde dos participantes do estudo. Contudo, serão necessários mais estudos, com amostras mais representativas e com mais recursos tecnológicos, de forma a possibilitar a análise e correlação de outras variáveis.