Autor: Mariline Patrícia Fernandes Ferreira
O acidente vascular cerebral representa uma das principais causas de mortalidade e morbilidade a nível mundial, tendo grande repercussão na qualidade de vida dos doentes. A enfermagem de reabilitação assume por isso grande importância, pois contribuí para ajudar o doente a readquirir capacidades perdidas e a tornar-se mais autónomo. Tendo presente esta realidade, considerámos importante realizar um estudo com o tema: “Doente com AVC: ganhos na qualidade de vida após intervenção do enfermeiro de reabilitação”, visando conhecer de que forma o enfermeiro de reabilitação influência a qualidade de vida do doente após o Acidente Vascular Cerebral, de modo a contribuir para uma melhor intervenção neste domínio. Definimos como objetivos específicos: Avaliar o nível de qualidade de vida dos doentes acometidos por AVC no momento da alta da Unidade de Cuidados Continuados de Média Duração e Reabilitação; avaliar o nível da qualidade de vida dos doentes acometidos por AVC, 2 meses após alta e sujeitos à intervenção do enfermeiro de reabilitação no domicílio; identificar a influência das varáveis sociodemográficas (género, idade, estado civil e habilitações literárias) na qualidade de vida no doente com AVC e por fim conhecer a perceção dos doentes que sofreram AVC, relativamente à intervenção do enfermeiro de reabilitação na manutenção/recuperação da qualidade de vida no doente com AVC. Trata-se de um estudo misto, predominantemente quantitativo, correlacional e longitudinal, sendo a amostra constituída por 51 indivíduos de ambos os sexos. Os instrumentos utilizados foram: o questionário sociodemográfico, elaborado para o efeito, e a Escala de Qualidade de Vida Específica para Doentes com AVC (Malheiro [et. al.], 2009). Os resultados revelaram que os sujeitos da amostra possuem uma média de idade de 76 anos, na sua maioria mulheres (66.7%), casados ou em união de facto (54.9%) e com o 4º ano de escolaridade (49%). Relativamente ao contributo das variáveis sociodemográficas para a qualidade de vida nos doentes após AVC, verificou-se que a variável idade influencia negativamente a qualidade de vida nos domínios: Energia, Papel Familiar, Disposição, Papel Social, Mobilidade, Força Membro Superior e Trabalho/Produtividade; a variável habilitações literárias influencia positivamente a qualidade de vida nos domínios Energia, Disposição, Papel Social, Capacidade Mental, Linguagem, Mobilidade, Força Membro Superior, Trabalho/Produtividade e Autocuidados. As variáveis género e estado civil não influenciam nenhum dos domínios da qualidade de vida e os domínios Personalidade e Visão não são influenciados por nenhuma das variáveis estudadas. Relativamente à perceção dos doentes sobre a importância do enfermeiro de reabilitação concluímos que 48 individuos consideram que o enfermeiro de reabiltação foi importante para melhorar a sua qualidade de vida na medida em que este promoveu a manutenção e a reeducação funcional: motora, sensitiva, cognitiva, sistema cardiorrespiratório, da alimentação e eliminação (vesical e intestinal). O estudo mostra que a intervenção do enfermeiro de reabilitação contribui para uma melhoria da qualidade de vida e sugere-se o desenvolvimento de outros estudos no sentido de reforçar estes resultados.