Autor: Maria Adelaide Costa
As doenças do foro respiratório e circulatório estão a aumentar devido a vários fatores nomeadamente o fumo do tabaco, a poluição atmosférica, estilos de vida sedentários e alimentação pouco saudável, sendo a dispneia um sintoma frequente nestas doenças com forte impacto quer ao nível socioeconómico quer na qualidade de vida da pessoa, pelo que o seu controlo torna-se uma preocupação constante por parte do enfermeiro do serviço de urgência, ao qual recorrem inúmeras pessoas com esta sintomatologia. Por estes motivos desenvolvemos este estudo de investigação que tem como objetivos: descrever as técnicas de controlo da dispneia utilizadas pelos enfermeiros do serviço de urgência; analisar as dificuldades sentidas pelos enfermeiros do serviço de urgência na sua intervenção relativamente às técnicas de controlo de dispneia e determinar as necessidades de formação dos enfermeiros do serviço de urgência sobre técnicas de controlo de dispneia. Neste estudo optamos pela metodologia de investigação qualitativa de caráter exploratório descritivo. Para a sua realização selecionamos como instrumentos de recolha de dados a entrevista semiestruturada e a observação não participante sistemática que realizamos a cinco enfermeiros do serviço de urgência de um Centro Hospitalar da região Norte. Após a recolha de dados iniciamos o processo de tratamento com recurso à técnica de análise de conteúdo, proposta por Bardin (2011) e procedemos à análise descritiva das intervenções observadas. Do processo da análise de conteúdo das entrevistas, emergiram cinco áreas temáticas: conhecimento sobre técnicas de controlo de dispneia; intervenções dos enfermeiros à pessoa com dispneia; perceção dos enfermeiros relativamente à importância das técnicas de controlo de dispneia; dificuldades sentidas pelos enfermeiros na utilização das técnicas de controlo de dispneia e perceção do impacto da formação na prática de cuidados respiratórios. Os resultados obtidos evidenciam que os enfermeiros conhecem e utilizam como técnicas de controlo da dispneia posições de descanso e relaxamento à pessoa deitada, dissociação de tempos respiratórios, exercícios de respiração abdominal, ensino da tosse e outras terapêuticas não farmacológicas e farmacológicas. A aspiração de secreções, gerir o ambiente físico (temperatura, ruído e luminosidade), o conforto e o controlo da ansiedade são, ainda cuidados que realizam ou dizem realizar. Percebem que estas técnicas são importantes para o controlo respiratório, a eliminação de secreções e a maximização da autonomia da pessoa com dispneia. Os enfermeiros mencionaram como dificuldades na sua intervenção: o défice de conhecimentos, o défice de recursos humanos, recursos materiais e físicos inadequados, e por último a falta de tempo. Constatamos ainda que os enfermeiros admitem necessidade de formação, com o objetivo de desenvolverem o seu conhecimento e competências para a prestação de cuidados à pessoa com dispneia. Reconhecida esta necessidade fazemos uma proposta de formação com sessões teóricas e práticas no âmbito dos cuidados respiratórios junto da pessoa com dispneia no serviço de urgência.