Autor: Eduardo Manuel da Cunha Soares
O cancro gástrico é uma patologia com grande impacto individual e social devido à sua hostilidade enquanto doença e à sua agressividade relativa aos tratamentos, levando o cliente a vivenciar uma transição saúde/doença. A gastrectomia é a opção de tratamento mais usual nesta patologia, tendo um impacto negativo na dinâmica respiratória, aumentando o risco de complicações pulmonares pós-operatórias. A reeducação funcional respiratória no pré e pós-operatório, torna-se ajustada, pois tem um efeito preventivo ou de correção de complicações pulmonares pós-operatórias. Constituiu-se como objetivo deste estudo analisar os efeitos de um programa de reeducação funcional respiratória pré e pós-operatório na dor, ansiedade, frequência respiratória, saturação de oxigénio e complicações pulmonares pós-operatórias, no processo de transição saúde/doença, do cliente submetido a gastrectomia programada. Desenvolvemos um estudo quase-experimental e longitudinal, sustentado num paradigma quantitativo, com uma amostra de 60 clientes distribuídos por dois grupos: controlo e intervenção. O período de intervenção e recolha dos dados ocorreu desde novembro de 2016 a março de 2017. Cada cliente participou no estudo desde a consulta de pré-operatório até à consulta de pós-operatório. A colheita de dados foi efetuada mediante o preenchimento do instrumento de colheita de dados em momentos distintos. Os resultados indicaram contributos do programa de reeducação funcional respiratória na incidência de complicações pulmonares pós-operatórias, havendo 1 complicação no grupo de intervenção e 8 no grupo de controlo. Elevados níveis de ansiedade foram apresentados, com diminuição ao longo do estudo, sendo este decréscimo mais acentuado no grupo de intervenção. A frequência respiratória manteve-se normal, não se verificando efeitos da intervenção. Elevados níveis de saturação de oxigénio, sempre superiores a 92%, estiveram presentes em todos os clientes, sendo estes valores superiores no grupo sujeito a intervenção. O nível de dor foi mais elevado no 1º dia de pós-operatório, decrescendo desde esse momento, com valores mais altos no grupo de controlo. A implementação do programa de reeducação funcional respiratória pré e pós-operatório, pelo enfermeiro de reabilitação, revelou benefícios, sobretudo pós-operatórios, com diminuição do nível de dor, aumento da saturação de oxigénio, diminuição dos níveis ansiedade e diminuição de complicações pulmonares pós-operatórias, verificando-se diferenças estatisticamente significativas. Não se traduziram efeitos do programa de reeducação funcional respiratória na frequência respiratória.