Autor: Ana Maria de Morais Gomes
As Unidades de Média Duração e Reabilitação (UMDR) inseridas na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) são unidades de internamento que prestam cuidados clínicos, de reabilitação e de apoio psicossocial, por situação clínica decorrente de recuperação de um processo agudo ou descompensação de processo patológico crónico, a clientes com perda transitória de autonomia potencialmente recuperável. Tem por finalidade a estabilização clínica, a avaliação e a reabilitação integral do cliente, num período de internamento superior a 30 e inferior a 90 dias consecutivos (Decreto-Lei n.º 101/06). O objetivo geral deste estudo é conhecer o processo de planeamento de alta para o domicílio do cliente dependente internado numa UMDR. Trata-se de um estudo qualitativo de natureza exploratório descritiva que recorreu à entrevista semiestruturada como fonte de colheita de dados junto de dez enfermeiros de uma UMDR da região Norte. Os discursos obtidos foram submetidos à análise de conteúdo segundo Bardin (2011). Os resultados obtidos mostram não existir um processo de planeamento de alta estruturado na unidade. No que concerne à tomada decisão do destino pós alta do cliente dependente para o domicílio, não existe um momento temporal definido para a tomada de decisão, sendo a Assistente Social (AS) o profissional de saúde com maior interveniência nesse evento. São vários fatores que interferem na definição desse destino, como a dependência do cliente, o apoio familiar, as condições do domicílio, o apoio económico, a vontade do cliente/família e o estado consciência do cliente. Também, não está definido o momento temporal em que é iniciada a capacitação do prestador de cuidados (PC). A intervenção do enfermeiro junto do PC baseia-se na identificação das necessidades do cuidador, identificação das áreas prioritárias de Educação Para a Saúde (EPS) do cuidador, no planeamento da EPS e na capacitação para os autocuidados. As estratégias utilizadas pelo enfermeiro para capacitar o PC são, o seu envolvimento, o Ensino/Instrução e Treino e consideram que a educação do cuidador é importante para a continuidade de cuidados e prevenção se complicações. Maioritariamente os participantes referem que o PC adquire conhecimentos e capacidades. As sugestões apresentadas incidem principalmente na continuidade de cuidados no domicílio pela equipa da UMDR, a Visita Domiciliária (VD) no período de PA e ainda a existência de um enfermeiro de referência na capacitação do PC.