Autor: Ana Raquel Rodrigues dos Santos
A temática central deste estudo tem por objetivo geral a avaliação postural por biofotogrametria em crianças e adolescentes num agrupamento de escolas do concelho de Bragança. O estudo é do tipo transversal descritivo, analítico e de natureza quantitativa. A amostra é composta por 135 indivíduos (♀-69; ♂-66) com idades compreendidas entre os 6 e 18 anos. Os resultados demonstram que, o peso da mochila face à massa corporal, em 58,5 % da amostra revela dados preocupantes dado a alta percentagem obtida (12,63±6,63%). A dor nas costas obteve uma prevalência de 37,8%, evidenciando-se estatisticamente significativa com o tipo de calçado usado, bem como valores médios de IMC mais elevados e positividade no teste de Adams. No que se reporta à prática de atividade física 56,3% refere participar em atividades desportivas extra escolares, com valores de níveis de atividade física satisfatórios (62,7% alto NAF versus 4,9% baixo NAF). No teste de Adams os resultados mostraram-se positivos em 46,7% da amostra. Os estudantes com Adams positivo são mais velhos, têm mais peso, são mais altos, apresentam valores de IMC mais elevados e transportam mochilas mais pesadas. Verificou-se, ainda, existir relação entre o teste de Adams e o tempo diário passado na posição de sentado frente ao computador. São estatisticamente relevantes os resultados obtidos na análise do ângulo Q esquerdo e direito, na vista anterior, pela diferença dos valores obtida entre os sexos: ângulo QD valor médio 17,48º total da amostra (♂ 16,01º±4,48º versus ♀ 18,88º±4,48º); ângulo QE valor médio 17,79º total da amostra (♂ 16,42º±3,93º versus ♀ 19,10±4,98º); nas vistas laterias os resultados obtidos variaram de forma estatisticamente significativa de acordo com o teste de Adams, ou seja, os alunos com Adams negativo obtêm um valor médio de posteriorização enquanto os alunos com Adams positivo se apresentam mais anteriorizados. Na vista lateral direita salienta-se que: o alinhamento vertical da cabeça em relação ao acrómio tendeu para anteriorização (5,28º±6,83º); o tronco registou uma diminuição ou retificação da cifose torácica (-2,79º±3,15º); o alinhamento horizontal da pélvis obteve um valor de 11,99º para a esquerda indicando anteversão pélvica, sendo mais notória na vista lateral esquerda, com diferenças estatisticamente significativas entre sexos, quer para a VLD (♂ -10,77º±4,50º versus ♀ -3,12º±5,66º), quer para a VLE (♂ -11,67º±3,80º versus ♀ -14,39º±5,72º). Os resultados obtidos forneceram evidências do quanto é importante o desenvolvimento de programas preventivos direcionados para as alterações posturais e da necessidade de um acompanhamento, tanto familiar como escolar, dado que as alterações posturais tendem a desenvolver-se durante a fase de crescimento. Todavia, importa prosseguir e desenvolver os sentidos e resultados que encerram esta mudança, quer no plano dos discursos, quer ao nível das práticas.