Autor: Cândido Vilarinho Pires
A nutrição, além de ser uma necessidade humana básica no doente internado, habitualmente encontra-se comprometida, devido ao facto do doente não ter condições físicas e psicológicas para se alimentar por via oral. A deglutição é muitas vezes comprometida nos indivíduos que sofrem um AVC. No estudo, efetuado na Unidade de AVC da ULS do Nordeste, num total de 162 doentes durante o período de 1/01/2011 a 31/12/2011, 30 doentes (18,5%) foram identificados com elevado risco nutricional (NRS-2002). A identificação de fatores de risco de base preditivos para o AVC permitirá a melhoria de estratégias terapêuticas Nutricional/Medicamentosa e, consequentemente o desenlace prognóstico nesta patologia. O estudo demonstrou uma elevada prevalência de HTA com 27 doentes (90%), de Diabetes mellitus com 14 doentes (16,7%) e dislipidémia com 5 doentes (16,7%). Destes 30 doentes, concluí-se que 26,7% apresentavam Disfagia Leve e 73,3% Disfagia Grave. Todos foram entubados com sonda nasogástrica e necessitaram de Nutrição Entérica. O Enfarte Total da Circulação Anterior (11 doentes), o Enfarte da Circulação Posterior (6 doentes) e as hemorragias Cerebrais (5 doentes) foram as que apresentaram maior número de casos com disfagia Grave, o que revela a gravidade destas entidades nosológicas. Apenas 27% (8 doentes) foram com SNG e 3% (1 doente) com PEG após a alta clínica. É notória uma recuperação funcional de grande parte dos doentes relativamente à admissão, o que terá facilitado a retirada da sonda e reinício da alimentação via oral, mais fisiológica. Concluiu-se que 15 doentes apresentavam segundo o IMC, Peso Normal, 9 doentes Pré-obesidade, 3 doentes Obesidade grau I e 3 doentes Obesidade grau II. A avaliação na admissão do doente, a existência de protocolos de nutrição, a instituição de terapêuticas específicas, um aumento da educação e da sensibilização de todos os profissionais de saúde para a importância do suporte nutricional, bem como a criação de equipas multidisciplinares vocacionadas para esta área, poderão constituir soluções para identificar o alto risco de desnutrição. Por tudo isto, planear e recorrer a uma dieta terapêutica adequada garante uma melhor recuperação, permitindo uma menor perda de massa muscular, através da deambulação mais precoce e do fornecimento de macronutrientes e/ou micronutrientes fundamentais. Sendo a disfagia um problema comum nos AVC`s, o papel do enfermeiro especialista em reabilitação deve ter em linha de conta a adequada avaliação da disfagia, com teste de ingestão de água no leito, com combinação de teste de saturação de O2, bem como o tratamento com a modificação da dieta, instituição de alimentação entérica por sonda e terapia com estratégias compensadoras como postura anti-aspiração, treino de deglutição e treino de motricidade oro-facial.