A reabilitação das lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho em saúde

Autor: Ana Filipa Belo Nobre

O estado de saúde, a segurança e o bem-estar dos trabalhadores de saúde estão diretamente relacionados com a qualidade dos serviços prestados aos clientes. Assim, perante a preocupação com a incidência das Lesões Músculo-esqueléticas Relacionadas com o Trabalho (LMERT) em Saúde nas Auxiliares de Ação Médica (AAM) de uma Unidade de Cuidados Continuados Integrados de Longa Duração e Manutenção (UCCILDM), tornou-se indispensável proceder à promoção da saúde e prevenção da doença neste local de trabalho. Deste modo, foram definidos os seguintes objetivos: conhecer as posturas adotadas aquando das mobilizações de clientes; promover mudanças ao nível das posturas adotadas durante as mobilizações de clientes; informar e formar sobre o risco de LMERT no desempenho da sua atividade profissional; formar para aquisição de posturas corretas durante os posicionamentos e transferências de clientes; avaliar a recetividade à correção da mecânica postural durante os posicionamentos e transferências de clientes. Optou-se por uma metodologia de investigação-ação, realizada com uma amostra constituída por 7 indivíduos (AAM) duma UCCILDM. Os dados foram recolhidos com recuso a um Questionário Sociodemográfico e Clínico; captura de imagens fotográficas sobre posturas adotadas durante a mobilização de clientes; formação em grupo e individual durante as atividades mencionadas anteriormente para esclarecer e aprofundar conhecimentos, finalizando-se com a análise ergonómica e postural recolhida através de Checklist, e aplicação de Questionário de Avaliação da Eficácia das Sessões de Formação. Os dados evidenciaram que estes profissionais de saúde apresentam uma multifatorialidade de riscos de desenvolverem LMERT, destacando-se os constrangimentos de natureza física e biomecânica (posturas adotadas), e de natureza individual (relativos à escassez de formação para a função que desempenham). A utilização dos músculos das pernas e das ancas e a utilização de equipamentos auxiliares foram identificadas como as estratégias menos eficazes na mobilização de clientes. Assim, perante a necessidade de implementar estratégias mais eficazes, que produzam melhores resultados, sugere-se a implementação de planos de formação enquanto momento de reflexão em equipa, com reciclagem periódica, a contratação sempre que possível de profissionais qualificados para a função e a aquisição de equipamentos auxiliares de mobilização.

http://hdl.handle.net/20.500.11960/1924

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