Autor: Eugénia Maria da Costa Pereira
A doença renal crónica e o tratamento de substituição da função renal por hemodiálise, são responsáveis por uma série de alterações, que se manifestam na pessoa com insuficiência renal crónica terminal. Muitas destas alterações, desde as fisiológicas mais complexas, às psicológicas e sociais têm impacto negativo na sua funcionalidade. Torna-se por isso fundamental a implementação de programas especializados e individualizadas de reabilitação, de forma regular que contemplem atividades maximizadoras das capacidades funcionais, e o enfermeiro de reabilitação deve aplicar os seus conhecimentos e competências no cuidar das necessidades destas pessoas. Daí a opção de fundamentar a nossa prática com evidência científica e realizar um estudo com o objetivo de avaliar os efeitos de um programa de reabilitação funcional intradialítico, na pessoa com insuficiência renal crónica em programa regular de hemodialise. A nossa opção metodológica, para dar resposta a este objetivo foi desenvolver um estudo quase-experimental com dois grupos. O grupo intervenção que integrou participantes em programa de reabilitação funcional e o grupo de controlo com participantes que não integraram qualquer programa. Foram feitas duas avaliações aos participantes, uma antes e outra depois da intervenção. Recorremos a uma amostra por conveniência constituída por quarenta e sete pessoas, insuficientes renais em programa regular de hemodialise, que fazem tratamento numa Clinica de Hemodialise da zona norte. Vinte e quatro pessoas integraram o grupo intervenção e vinte e três o grupo controlo. Ao grupo de intervenção foi aplicado um programa de reabilitação funcional intradialítico, três vezes por semana durante doze semanas, composto por exercícios respiratórios de relaxamento com inspirações profundas e de aquecimento dos diferentes segmentos com alongamentos no início e fim da sessão e durante as sessões foram combinados exercícios dinâmicos, de contração isométrica e isotónica, resistidos e não resistidos. Foram efetuadas análises descritivas e inferenciais no tratamento estatístico dos dados. Os principais resultados revelam que o equilíbrio, a força muscular e a mobilidade foram sensíveis ao programa de reabilitação funcional, com ganhos na capacidade funcional, a composição corporal só foi sensível no que se refere à diminuição do tecido adiposo, não se verificando alterações no tecido magro nem no IMC.